dstgroup aposta na Filosofia para formar trabalhadores

Domingo, Setembro 13, 2026 - 19:54
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Correio do Minho Online


Curso de Filosofia exclusivo para o dstgroup pretende estimular o espírito crítico e apostar na liberdade de mais de 700 trabalhadores. Projecto tem a parceria da Universidade Católica.
 

dstgroup aposta na Filosofia para formar trabalhadores


O dstgroup vai promover, pelo oitavo ano consecutivo, o curso de Filosofia destinado aos seus trabalhadores, dando continuidade a um projecto desenvolvido em parceria com a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Braga, que leva o pensamento filosófico para dentro da empresa e traduz uma visão de formação que ultrapassa as competências estritamente técnicas.

Estimular o pensamento crítico, a capacidade de questionamento e a liberdade individual, colocando o conhecimento e o desenvolvimento humano e a procura de uma vida boa no centro da cultura organizacional do grupo, é o objectivo desta iniciativa que chega a mais de 700 trabalhadores neste neste segundo ano do 4.º Ciclo de Estudos.

Em comunicado, o dstgroup refere que o programa percorre áreas como lógica, estética, filosofia da religião, pensamento contemporâneo, antropologia, metafísica, política, economia e arte, proporcionando aos trabalhadores diferentes ferramentas para interpretar o mundo, compreender a sociedade e desenvolver uma visão mais crítica e plural sobre os desafios contemporâneos.

“Para este ano escolhemos autores e obras de grande complexidade e de grande oportunidade: ‘História do Futuro’ de An- tónio Vieira; ‘A Riqueza das Nações” e a Teoria dos Sentimentos Morais” de Adam Smith; ‘O Si-Mesmo Como Outro’ e a obra ‘Filosofia, Ética e Política’ de Paul Ricoeur; a ‘Crítica da Razão Pura’, a ‘Crítica da Razão Prática ‘e a ‘Crítica da Faculdade do Juízo’ de Kant. Escolhemos, ainda, uma autora muito especial, uma filósofa mística que escreveu sobre o trabalho e sobre a fé.

Vamos estudar ‘O Enraizamento’ e ‘A Gravidade e A Graça’ de Simone Weil” refere o dstgroup. As escolhas não são inocentes e giram sempre em torno de uma ideia de sabedoria prática, a phrónesis, de uma ética dos mínimos, do dever em si, da consciência que devemos ter da lei moral – do “fato razão”, da espiritualidade, de uma moralidade objectiva, da equidade como medida correctiva e da liberdade”, explica José Teixeira, presidente do Conselho de Administração do dstgroup.

Este investimento parte de uma conceção mais ampla da formação nas empresas. Para o dstgroup, qualificar trabalhadores não significa apenas desenvolver competências técnicas diretamente relacionadas com a atividade profissional, mas investir na formação integral das pessoas, estimulando a curiosidade, a autonomia intelectual, a sensibilidade e a capacidade de pensar e decidir de forma livre e consciente.

Desenvolvido desde 2020 em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, o projecto tem registado uma adesão crescente entre os trabalhadores.

Na última edição participaram cerca de 500 pessoas, mais 50% do que no ciclo anterior, uma evolução que demonstra o interesse interno por uma formação que introduz no quotidiano empresarial matérias tradicionalmente afastadas dos programas de qualificação profissional.

Para Aníbal Cardona, Técnico Superior de Segurança e Saúde no Trabalho no dstgroup, a experiência nesta formação não podia ser mais enriquecedora: “quando se trabalha sobre o concreto, tendemos a procurar certezas. Esta “imersão” na Filosofia, nos seus pensadores, correntes e controvérsias, desafia-nos a questionar as nossas convicções mais profundas, a tomar consciência da infinitude da reflexão e do facto de raramente ser possível alcançar consensos absolutos. O confronto com os nossos próprios vieses, mais do que desconforto cognitivo, corporiza em nós próprios, uma empatia expandida, capaz de nos fazer compreender e aceitar, perspectivas e mundividências radicalmente diferentes das nossas”.

A coordenação científica está a cargo do professor Carlos Morais, contando ainda com o envolvimento do professor Bruno Nobre, director da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP.

“A reflexão sobre as grandes controvérsias filosóficas da história do pensamento torna-se um autêntico laboratório de pensamento sobre o que significa ser humano. Não tenho dúvidas de que esta experiência estimula a criatividade e o espírito crítico dos trabalhadores. Tenho a certeza de que contribui para formar melhores cidadãos, num momento da história em que a capacidade de pensar é absolutamente necessária”, destaca Bruno Nobre, diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP.

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