A criatividade também constrói territórios

Quinta-feira, Outubro 15, 2026 - 20:57
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Jornal de Notícias

Opinião.

José Gabriel Andrade*


 

O que pode a criatividade transformar num tempo de inteligência artificial e incerteza? Foi esta a questão que reuniu, no MUZEU, em Braga, Isabel Capeloa Gil, Sergia Adamo e Pedro Abrunhosa, numa iniciativa da Universidade Católica Portuguesa integrada na Semana da Criatividade.

 

Da conversa, retenho sobretudo uma ideia defendida pela reitora da Católica: a universidade deve ser um espaço de experimentação, onde existe liberdade para questionar, arriscar, falhar e voltar a tentar. A criatividade não nasce do conforto, mas do encontro entre diferentes conhecimentos, experiências e formas de pensar.

Num tempo em que tanto se discute a inovação pelo seu valor económico, importa recordar outra dimensão: a educação não é um produto. É um processo de formação humana, de construção de pensamento crítico e de criação de possibilidades. As universidades não podem limitar-se a responder às exigências do presente. Devem também ajudar a imaginar futuros.

A música de Pedro Abrunhosa e a reflexão sobre a linguagem de Sergia Adamo lembraram-nos que a criatividade não pertence exclusivamente à tecnologia ou à economia. Está na arte, na cultura, na comunicação e na capacidade humana de atribuir novos sentidos ao mundo.

Mas há ainda uma dimensão que importa valorizar: a territorial. Encontros como este mostram que a criatividade também se constrói pela aproximação entre instituições e comunidades.

O Cávado e o Alto Minho reúnem condições singulares para aprofundar este caminho. A Universidade do Minho, a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade Politécnica do Cávado e do Ave e a Universidade Politécnica de Viana do Castelo, a par de outras instituições científicas e culturais, constituem uma rede de conhecimento cuja força pode estar precisamente na cooperação.

Mais do que competir por protagonismo, importa criar espaços de encontro entre universidades, empresas, instituições culturais e cidadãos, capazes de transformar criatividade em desenvolvimento territorial.

A criatividade ganha verdadeiro significado quando deixa de ser apenas uma capacidade individual e passa a constituir um projeto coletivo. É também assim que se constroem territórios com identidade e confiança no futuro.

 


* Professor da Universidade do Minho

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