Sem regulação, inteligência artificial pode destruir vidas e a democracia

Segunda-feira, Janeiro 26, 2026 - 13:20
Publication
Correio do Minho Online

Congresso Internacional de Pedagogia debate, no Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa, os desafios e as oportunidades criados pela inteligência artificial.

“Se não houver uma regulação forte, muito férrea, a inteligência artificial (IA) vai destruir muitas vidas”, alertou ontem José Manuel Lopes, coordenador do VI Congresso Internacional de Pedagogia, que decorre até amanhã na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Este sacerdote jesuíta e especialista em Ciências da Educação assumiu, na abertura do Congresso que tem como tema central ‘Educação na Era Digital: subjectividades, nomadismos e poderes’, considerou que a IA abre “oportunidades imensas”, mas que os perigos ou desafios que representa “não são menores”. Para este docente da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, a IA?abre “uma nova e significativa fase da relação da humanidade com a tecnologia”, a qual tem “implicações antropológicas e éticas” que devem ser debatidas.

É isso que está a ser feito no Congresso Internacional de Psicologia que ontem se iniciou para abordar questões como ‘O futuro do homo digitalis: sonho ou pesadelo?’, ‘Educação na era digital: criatividade e autonomia’ e ‘Privacidade, segurança e soberania’. O Congresso propõe uma reflexão crítica sobre o impacto do mundo digital na educação e na vida das pessoas, considerando as dimensões pessoal, interpessoal, espiritual, social e política. José Manuel Lopes identificou entre os perigos decorrentes da IA o desenvolvimento de “novas formas de pobreza” e o “alargar das desigualdades sociais”, a par da promoção do “paradigma tecnocrático para resolver todos os problemas do mundo”.

Podendo ser “um recurso educativo” se bem utilizada, a IA potencia, segundo o coordendor do Congresso Internacional de Pedagogia, a “desintegração social” e a “desinformação”, contribuindo, dessa forma, para “destruir a democracia”.
Por isso, o sacerdote e académico entende que “se não houver normas muito claras e até punitivas para que não se possa fazer tudo” no mundo digital, “a privacidade e a dignidade das pessoas fica em risco”.

A regulamentação do uso da IA “tem de ser global”, entende José Manuel Lopes.

Também na abertura dos trabalhos do VI Congresso Internacional de Pedagogia, o pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa, Paulo Dias, chamou a atenção para “as novas vulnerabilidades” que a IA potencia, nomeadamente a “dependência dos algoritmos” e “a pressão para o desempenho constante”. Segundo o pró-reitor, o Congresso que decorre no Centro Regional de Braga da ‘Católica’ deve, para além da análise académica do fenómeno da IA, resultar numa “reflexão ética, educativa, social e política sobre o impacto do digital nas nossas vidas”.

Na mesma ocasião, o director da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, Bruno Nobre, apontou este estabelecimento de ensino como local privilegiado para o debate dos “desafios eucacionais extraordinários” decorrentes do recurso à IA.