Inteligência Artificial tem de ser objeto de regulamentação exigente

Sexta-feira, Janeiro 23, 2026 - 15:58
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Diario do Minho
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O coordenador da Comissão Organizadora do VI Congresso Internacional de Pedagogia que está a decorrer na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FFCS) da Universidade Católica Portuguesa em Braga defendeu a necessidade de se regulamentar a Inteligência Artificial (IA).

Na sessão de abertura do congresso, que tem por tema “Educação na Era Digital: subjetividades, nomadismos e poderes”, José Manuel Martins Lopes, SJ, sustentou que é preciso estar consciente que a «IA pode impedir, ou mesmo opor-se ao desenvolvimento humano e ao bem comum, prolongando situações de marginalização e discriminação, criando novas formas de pobreza, alargamento do fosso digital e agravar as desigualdades sociais». Para o coordenador, a IA pode mesmo «manipular consciências e manipular o processo democrático para benefício de alguns». «Acresce a isto o risco da IA promover o chamado paradigma tecnocrático que pretende levar todos a crerem que se conseguem resolver todos os problemas do mundo apenas com meios tecnológicos», acrescentou. Para José Manuel Martins Lopes, SJ, «só poderemos falar de verdadeiro progresso se a melhoria da qualidade de vida, conseguida através dos avanços tecnológicos, atingirem toda a humanidade, e nunca agravarem as desigualdades e os conflitos». Na sua opinião, se a IA for utilizada com prudência «pode ser um reforço educativo valioso no processo de ensino e aprendizagem». Segundo sublinhou, «o discernimento e a transparência no uso de dados recolhidos na web, a promoção do pensamento crítico, o aprofundamento dos problemas numa reflexão séria e honesta num contexto de relação com pessoas é uma das tarefas essenciais da educação», nos dias de hoje marcados pela tecnologia. 

A utilização da IA não pode afastar, ou isolar, os seus utilizadores desta finalidade no processo educativo, e não pode conduzir à desintegração social, à desinformação, à legitimação de “fake news” ou a casos de alucinação da IA», salientou. E, se a IA pode gerar conteúdos fictícios, para José Manuel Martins Lopes, SJ, existe um problema mais preocupante. «A sua utilização intencional para fins de manipulação». Por tudo isto, «exige-se uma regulamentação muito exigente» da IA, defendeu. Nesta sessão de abertura, o Pró-reitor da UCP de Braga, Paulo Dias, sustentou que, se por um lado, a tecnologia amplia horizontes, democratiza o acesso ao conhecimento, também gera novas vulnerabilidades, como a erosão da privacidade, a dependência dos algoritmos.

O diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, Bruno Nobre, lembrou, por sua vez, que pedagogia inaciana oferece recursos para pensar o desafio da educação.

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