O VI Congresso Internacional de Pedagogia decorreu nos dias 22, 23 e 24 de janeiro na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FFCS) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) – Braga, sob o tema “Educação na Era Digital: subjetividades, nomadismos e poderes”.
Na sessão de abertura deste congresso, que destacou a necessidade de regulamentação da Inteligências Artificial (IA), o Pró-reitor da UCP – Braga, Paulo Dias, sublinhou que embora a tecnologia amplie horizontes e democratize o acesso ao conhecimento, também cria vulnerabilidades, nomeadamente a “dependência dos algoritmos” e “a pressão para o desempenho constante”. Paulo Dias destaca a importância deste congresso resultar numa “reflexão ética, educativa, social e política sobre o impacto do digital nas nossas vidas”. Também o Diretor da FFCS, Bruno Nobre, recordou que a pedagogia inaciana oferece ferramentas valiosas para refletir os desafios educativos decorrentes do uso da IA.
O coordenador da Comissão Organizadora do Congresso, José Lopes, SJ, alertou para os riscos da Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento humano e no bem comum. Segundo José Lopes, é preciso estar consciente de que a “IA pode impedir ou mesmo, opor-se ao desenvolvimento humano e ao bem comum, prolongando situações de marginalização e discriminação, criando novas formas de pobreza, alargamento do fosso digital e agravar as desigualdades sociais”. O responsável sublinhou ainda que a IA pode "manipular consciências e influenciar o processo democrático em benefício de alguns" e promover um "paradigma tecnocrático" que sugere que todos os problemas do mundo podem ser resolvidos apenas por meios tecnológicos. Salientou, ainda, que “a utilização da IA não pode afastar, ou isolar, os seus utilizadores desta finalidade no processo educativo, e não pode conduzir à desintegração social, à desinformação, à legitimação de fake news ou a casos de alucinação da IA”.
Ao longo dos três dias, o congresso abordou várias áreas temáticas, incluindo política educativa, comunicação digital e aprendizagem; reconfigurações humanas resultantes do digital; virtualização dos espaços comunitários, fluxos e sentido de pertença; cidadania digital, ativismo e poder; e espiritualidade e pedagogia inaciana face ao desafio digital. O evento contou com três conferencistas plenários: Mathieu Guillermin, da Université Catholique de Lyon com a conferência "Human and Artificial Intelligence: Similarities and Divergences"; Afonso Seixas Nunes, SJ, da University of Saint Louis School of Law, que discutiu "IA e o Problema Estrutural: Não Sabemos o que Não Sabemos"; e por último, Paulo Novais, da Universidade do Minho, com "(Re)Construir o Futuro da Educação: A IA como Suporte para uma Aprendizagem mais Personalizada e Inclusiva".
Foram ainda realizados vários painéis temáticos que reuniram académicos, profissionais e representantes institucionais: no dia 22, “O Futuro do Homo Digitalis: Sonho ou Pesadelo?”, com João Manuel Duque (Faculdade de Teologia-UCP), Luís Parreirão (Administrador da Fundação Manuel António da Mota) e Tiago Mesquita Carvalho (Faculdade de Letras da Universidade do Porto); no dia 23, “Educação na Era Digital: Criatividade e Autonomia”, com Ângela Maria Pereira e Sá Azevedo (FFCS - UCP), Pedro Daniel Tavares Ferreira (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto) e Rodrigo Queiroz e Melo (Faculdade Ciências Humanas - UCP); e no dia 24, “Privacidade, Segurança e Soberania”, com Jorge Arcanjo (Juiz Conselheiro), Ricardo Rio (Câmara Municipal de Braga) e Emanuel Gouveia (FFCS - UCP).