Universidade Católica é chamada a ser mesa comum de escuta da sociedade

Quarta-feira, Fevereiro 4, 2026 - 15:10
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Diario do Minho
Universidade Católica é chamada a ser mesa comum de escuta da sociedade

O cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues disse ontem que a Universidade Católica Portuguesa é hoje chamada a ser, não uma tribuna, mas mesa comum, onde se escuta a sociedade na sua pluralidade.

Esta foi uma das mensagens que o sacerdote deixou na homilia da Eucaristia a que presidiu na Sé de Braga, celebrada no âmbito das comemorações do Dia da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Segundo vincou, «a sabedoria cristã não é apenas um conjunto de conceitos», mas «um modo de viver», e, no que diz respeito a uma universidade, tal significa que «não é o que sabemos que conta, mas o que fazemos com o que sabemos». Para o diretor da Faculdade de Teologia da UCP em  Braga é aqui que entra a ideia de uma “diaconia da cultura”, ou seja, «a presença cristã no espaço cultural não existe para se defender nem para mandar, nem para dominar», mas sim para «servir o que, numa sociedade fragmentada e acelerada, sustenta a humanidade comum», isto é, «a linguagem, o sentido, a convivência, o futuro». «Uma universidade, assim, não é Publicidade um “território” a conquistar; é uma ecossistema vivo a cuidar», acrescentou, sublinhando ainda que, olhando para a UCP, «isto ganha corpo».

Ser “católica” não é um rótulo. É uma forma de habitar o conhecimento de modo integral: razão e fé, ciência e sabedoria, competência e consciência. E talvez aqui esteja uma imagem feliz: a UCP é chamada a ser mais mesa comum do que tribuna», salientou. Para o cónego Luís Miguel Rodrigues, é nesta mesa que «se escuta a sociedade na sua pluralidade, onde se acolhem perguntas difíceis sem as reduzir a slogans, onde se aprende a argumentar sem agredir, e onde a procura de excelência nunca se separa do bem comum». Segundo o sacerdote, isto joga-se nos planos do ensino, da investigação e na presença pública.

Na sua homilia, o diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa em Braga vincou ainda que nos dias de hoje há uma responsabilidade muito específica, referindo-se ao digital e à inteligência artificial. Segundo defendeu, «uma universidade católica serve a cultura quando ajuda a distinguir inovação do progresso humano, quando protege a pessoa de ser reduzida a dados, quando denuncia novas exclusões algorítmicas, e quando lembra que a eficácia não é critério suficiente para orientar a vida comum».

«E esta diaconia fica incompleta se não tiver uma atenção preferencial aos que ficam de fora: porque servir a cultura, no horizonte cristão, é garantir que o acesso ao conhecimento não seja privilégio, que as periferias tenham lugar no diálogo, e que a universidade aprenda também com a experiência concreta dos frágeis», salientou o sacerdote.

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