Clube promove a leitura entre alunos da Católica

Segunda-feira, Janeiro 5, 2026 - 11:52
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Diario do Minho
Clube de Leitura visitou a exposição “Rostos Inabaláveis”, de Sílvia Mota Lopes

O Clube de Leitura “Liberdade” do Campus de Braga da Universidade Católica Portuguesa quer promover o livro e incentivar os jovens à leitura, ao mesmo tempo que alarga os horizontes culturais dos estudantes deste estabelecimento de ensino.

Esta estrutura é dinamizada pelos professores Cândido de Oliveira Martins e Luísa Magalhães, em articulação com o trabalho dos alunos. A funcionar há cerca de ano e meio, resulta de uma candidatura ao programa “Clubes de Leitura do Ensino Superior”, no âmbito do Plano Nacional de Leitura 2027.

A partir do desafio do Governo, um núcleo de alunos, com representantes de todos os cursos da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, candidatou o seu projeto para a constituição do Clube de Leitura “Liberdade”, tendo sido um dos 20 selecionados a nível nacional. 

Cândido de Oliveira Martins explica que o Clube de Leitura convida periodicamente escritores para falarem sobre livros, em sessões que normalmente decorrem nas instalações da universidade. Contudo, há também iniciativas noutros locais de interesse cultural, como a visita realizada recentemente à exposição “Rostos Inabaláveis”, de Sílvia Mota Lopes, patente ao público no Museu Nogueira da Silva, sobre mulheres escritoras, à qual está associado um livro.

Em declarações ao Diário do Minho, o professor universitário explica que os convites têm sido dirigidos «a autores contemporâneos, de gerações diferentes, às vezes mais consagrados, outras vezes mais jovens». «É bom que os alunos conheçam os autores que se vão publicando em Portugal e que possam ter a experiência de manter um diálogo de proximidade com eles», adianta.

Os estudantes são desafiados a conhecer os escritores, lendo as suas obras, para depois poderem dialogar sobre o que escreveram. «Os jovens podem falar com os escritores, fazer perguntas sobre o que pensam sobre questões contemporâneas, sobre grandes temas da atualidade. É motivador para um jovem poder perceber que os escritores não são seres distanciados da vida quotidiana e que também se preocupam com temas que afligem qualquer cidadão, que têm uma voz crítica e que têm coragem para o dizer. Isso também é extremamente formativo», refere.

Por outro lado, a participação no Clube de Leitura permite o desenvolvimento de «competências correlacionadas», pois os alunos têm de organizar os eventos, com tudo o que isso implica em termos de logística, moderar os debates, fazer entrevistas ou escrever notícias sobre os eventos.

O académico constata que não é fácil mobilizar os jovens para a leitura. «Os alunos não se mostram especialmente motivados para a leitura e, portanto, isso só comprova que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior tinha razão em promover esta iniciativa de constituição de clubes de leitura», declara.

«Na Universidade Católica, estamos a fazer um grande esforço para sensibilizar, para motivar, para levar os alunos às sessões que se vão realizando periodicamente. O balanço é positivo», acrescenta.

«No âmbito do Plano Nacional de Leitura, durante anos tem-se investido num programa para motivar os alunos que estão no ensino básico e secundário. Chegou a vez do ensino superior, porque se concluiu que é preciso investir nesta área, uma vez que os alunos que têm bons hábitos de leitura são, seguramente, alunos que pensam melhor, com espírito crítico e mais capacidade de análise. Há uma série de vantagens que os alunos vão ter, independentemente da área em que estão a estudar, devido aos sólidos hábitos de leitura», salienta.

Por seu turno, Luísa Magalhães afirma que o desafio de estimular a leitura se coloca na categoria de ação prioritária, sob o ponto de vista da atividade pedagógica, nos diferentes níveis de ensino. 

«Nos tempos que correm, pedir a um estudante do ensino superior que leia com tempo e atenção é quase pedir-lhe que nade contra a corrente. Que resista à saturação de estímulos eufóricos, notificações constantes e conteúdos pensados para consumo rápido: ler implica parar, desacelerar, aceitar o silêncio e lidar com ideias complexas – tudo aquilo que o ambiente digital tende a evita», realça.

Na sua essência, o Clube de Leitura desenvolve a ideia de que «ler é um gesto de resistência cultural: é escolher aprofundar em vez de passar à frente, pensar em vez de apenas reagir. Fazer respirar o pensamento, criar tempo próprio e assumir um espaço de autonomia intelectual, onde podem questionar, duvidar e construir sentido próprio». «Estamos habituados a conteúdos que mostram tudo, que orientam o olhar e reduzem a margem de dúvida. Os livros, pelo contrário, pedem participação ativa. E é precisamente aí que está o seu valor», vinca.

Para a professora, criar motivação entre estudantes universitários é hoje «um dos desafios mais delicados do ensino superior, sobretudo quando lhes é pedido algo que já não lhes é tão familiar: interpretar, imaginar e pensar sem o apoio constante de imagens. Ao promover este Clube de Leitura ambicionamos recuperar esta ideia junto dos nossos estudantes – a leitura como espaço de liberdade, criatividade e descoberta pessoal: pode ser este um caminho possível para transformar a resistência em curiosidade e a participação em desejo de cultura».

Atividades interessantes para motivar os jovens

A importância do Clube Liberdade para a mobilização dos jovens para a leitura é sublinhada pela coordenadora desta estrutura, Catarina Nogueira. Aluna do terceiro ano de Ciências da Comunicação, a responsável explica que o objetivo é «cativar os estudantes para a literatura e para cultura, quando se sente que os jovens não se sentem tão atraídos pelo consumo cultural». Em seu entender, a realização de atividades interessantes fomenta o interesse dos alunos por esta área. «Uma experiência altamente enriquecedora, como a visita à exposição “Rostos Inabaláveis”, de Sílvia Mota Lopes, no Museu Nogueira da Silva, pode ser um bom ponto de partida para que os estudantes voltem a ler, a ir a museus ou a teatros», argumenta.

Este trabalho do Clube Liberdade também está integrado no Plano Local de Leitura, desenvolvido pelo Município de Braga, no qual Cândido de Oliveira Martins e Luísa Magalhães participam.