Universidade Católica dever ser «laboratório de esperança» em tempo de crise

Quinta-feira, Fevereiro 27, 2025 - 12:41
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Diario do Minho
Paulo Dias

Paulo Dias, pró-reitor da UCP- Braga, afirmou, ontem, em nome da equipa reitoral, que o que distingue a Católica é «o desenvolvimento integral da pessoa humana ao serviço do bem comum».

O pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) de Braga,Paulo Dias, defendeu, ontem, que a profunda crise e os graves problemas que atravessam a humanidade devem levar a universidade a definir-se, como afirmou o Cardeal Tolentino de Mendonça, como «um laboratório da esperança».

«Não uma esperança vã, inocente, “naïve” e de braços caídos, mas um contexto onde se experimenta, se implementa, se compromete com a mudança. Onde se experimentam linguagens fora do quadro de referência habitual de cada um. Onde se acompanha cada estudante, desde o primeiro momento que entra na universidade até ao momento em que sai. Em que se valoriza o seu desempenho académico, mas também o seu progresso individual e a sua atenção ao outro. Onde pode praticar desporto, apreciar arte, promover a criatividade e o sentido de agência ou de vontade. Onde o saber técnico, o conhecimento, não se pode dissociar do saber fazer, muito menos do saber ser. Onde o resultado maior é o desenvolvimento integral da pessoa humana ao serviço do bem comum. É isso que nos distingue», defendeu Paulo Dias, falando em nome da equipa reitoral.

Metodologias inovadoras

Segundo Paulo Dias estão, por isso, em curso diversas ações na UCP, desde a implementação de metodologias inovadoras, algumas das quais têm sido objeto de investigação e até premiadas como a aprendizagem-serviço.

O pró-reitor salientou também que tem vindo a ser aprofundada a investigação interdisciplinar, que a UCP pretende ver cada vez mais reconhecida, «sobre o que é ser pessoa e como nos tornamos pessoa, mas também, como acontece no CITER, onde se explora a complexidade do nosso tempo e o impacto das religiões e da espiritualidade, novas ofertas formativas, com planos de estudos mais centrados nas competências que possam distinguir os estudantes».

Adiantou ainda que tem havido, da parte da UCP, um reforço, mas também promoção do voluntariado e ligação à  comunidade, valorizando qualidades individuais e oportunidades de contacto com os outros.

«É preciso colocar a esperança em ação», afirmou, depois de, no início da sua intervenção, ter lamentado a existência de «uma globalização da indiferença, seja em relação à qualidade da democracia, à desinformação, aos problemas ecológicos ou à saúde mental, atropelos à equidade e justiça social, entre outros».

Na sua intervenção anterior, dando as boas- -vindas no início da cerimónia, o pró-reitor referira-se também ao Campus de Braga como «um centro de investigação marcadamente interdisciplinar, onde se centram algumas das questões essenciais do nosso tempo, num tempo de profunda transformação tecnológica, social, ecológica e cultural».

«Por muito que o tempo seja de estatísticas, de dados e números, centremos a nossa atenção sobre pessoas de carne e osso, as que fazem esta comunidade. São essas pessoas que queremos reconhecer e celebrar hoje, pelo que deram ao seu curso, à sua área, a si mesmos e aos outros», afirmou.

Lição de sapiência promove reflexão sobre “Novos Desafios Digitais”

Margarida Mano

A vice-reitora da UCP, Margarida Mano, proferiu, ontem, a Lição de Sapiência, subordinada ao tema “Novos Desafios Digitais: algumas reflexões”, abordando o papel da Inteligência Artificial (IA) nos dias de hoje, os principais desafios digitais e a ética inerente à IA.

Recordando como a IA está hoje presente nos vários domínios do nosso quotidiano, desde a comunicação ao trabalho, passando pela saúde, pelos transportes e pela educação, a vice-reitora mencionou as vantagens da mesma, mas também os riscos globais inerentes ao domínio da tecnologia.

Elencou ainda os principais desafios digitais que enfrentamos, defendendo que a IA deve ser vista como «ajuda preciosa e incontornável no desenvolvimento académico», mas deve ser usada «como ferramenta e não como muleta».

«Queremos desenvolver máquinas que pensam para nós e não por nós», terminou.