Presidente do Asilo de S. José reclama mais apoios às IPSS

Quarta-feira, Abril 2, 2025 - 10:47
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Correio do Minho Online
CM Asilo S.José

150 anos do Asilo de S.José foram ontem assinalados com o presidente da direcção a defender maior financiamento do Estado às instituições particulares de solidariedade social.

O presidente da direcção do Asilo de S.José denunciou ontem como ”manifestamente insuficiente o contributo dos poderes públicos” para as instituições particulares de solidariedade social (IPSS).?Na sessão solene do 175.º aniversário da instituição que presta apoio à população idosa, José Luís Tavares Cunha constatou que “o somatório das comparticipações da Segurança Social e dos utentes é manifestamente exíguo”, já que deixa a descoberto mais de 20% das necessidades financeiras das IPSS.

Na presença da secretária de Estado da Acção Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, o presidente do Asilo de S. José alertou que, para evitar o agravamento da situação financeira das IPSS, é necessária “a actualização para valores justos” das comparticipações estatais ao abrigo dos acordos de cooperação.

Na intervenção na sessão solene, realizada na aula magna da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa, o presidente do Asilo de S. José observou também que o aumento da longevidade da população acarreta um acréscimo do número de idosos com patologias, o que transforma as IPSS em “autênticas unidades de cuidados continuados”, sem que as mesmas estejam dotadas de pessoal e equipamentos adequados.

A secretária de Estado da Acção Social e Inclusão respondeu que o Governo está “a mudar a forma como comparticipa” as IPSS, lembrando a assinatura recente do compromisso de cooperação para o biénio 2025-2026.

Clara Marques Mendes relevou que o sector da economia social e o Governo consensualizaram o custo de cada uma das respostas sociais, tendo-se conseguir neutralizar o impacto do aumento do salário mínimo nacional e da inflação nas comparticipações.

A governante reafirmou o compromisso de chegar a uma comparticipação de 50% do valor dos custos das respostas sociais contratualizada com IPPS. Ainda durante o corrente ano será possível, segundo a secretária de Estado, aprovar a Lei de Financiamento do Sector Social.


No dia de ontem, a direcção do Asilo de S.José agraciou os funcionários que completaram 15 e 25 anos de serviço à instituição. O 150.º aniversário foi assinalada também com a colocação de coroas de flores junto aos bustos do fundador, Fernando Oliveira Guimarães, do ex-presidente Jaime Carvalho de Lemos, e da fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, irmã Maria Clara.

Novas respostas para responder ao grande desafio da longevidade

O vereador da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues defendeu ontem, na sessão comemorativa dos 150 anos do Asilo de S. José, uma maior atenção da sociedade e dos poderes públicos para o papel, que será crescente, dos cuidadores informais, num quadro de envelhecimento populacional e de aumento da longevidade.
“Muitas pessoas não têm noção de que são cuidadores informais com acesso e direito a determinados serviços e apoios”, referiu o autarca.

Segundo João Rodrigues, “o papel dos cuidadores informais vai ter cada vez mais importância”. Sobre esta temática, a secretária de Estado da Acção Social e Inclusão, Clara Marques Mendes, relevou que foi aprovada recentemente uma alteração legislativa que alarga a não familiares o estatuto de cuidador informal e que se prevê a criação de vagas específicas de acolhimento em IPSS para garantir o direito ao descanso do cuidador informal. Clara Marques Mendes adiantou que, perante o desafio da longevidade, os serviços de apoio domiliciário terão de ser melhorados com novas valências, já que actualmente não respondem adequadamente a realidades como o isolamento dos idosos, e que o sector social tem de ser chamado a intervir na área dos cuidados de saúde continuados.

A propósito, apontou os oito projectos piloto que serão lançados para testar esta nova resposta.