Curso de Formação de Professores: CIÊNCIA, FILOSOFIA E RELIGIÃO
Formador
Álvaro Balsas
Destinatários
Professores do ensino secundário dos grupos disciplinares 410 (Filosofia) e 290 (Educação Moral e Religiosa Católica) ou de outro grupo disciplinar.
Outras Informações
ACREDITADO POR: Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCFC/ACC 103287/19)
Nº HORAS ACREDITADAS: 25 h
DATA LIMITE DE INSCRIÇÃO: 28 de setembro de 2020
Nº MÍNIMO DE INSCRIÇÕES: 13
PERIODICIDADE: semanal - às quintas-feiras; 17h-19h
INÍCIO: 8 outubro 2020
FINAL: 21 janeiro 2021
LOCAL: UCP-Braga
CUSTO: 120€ (90€ para antigos alunos)
Apresentação
Ciência e Religião são inegavelmente duas das forças culturais mais poderosas da história. Contemporaneamente, é opinião generalizada que só a visão da ciência é verdadeira e benéfica para o ser humano, pois pode comprovar-se racional e experimentalmente, enquanto a religião se baseia em dogmas que não admitem justificação racionalmente fundada. Tal visão, pretendendo fundamentar-se nas novas descobertas da ciência (Big Bang, bosão de Higgs, neurociências) e descartar toda a visão religiosa do Homem e do Mundo, não é corroborada pela análise crítico-filosófica.
Este curso vem colmatar uma necessidade de formação, sentida pelos professores de Filosofia e de Educação Moral, relativa a esta temática que cruza ciência, filosofia e religião.
Objetivos
- - Dotar os docentes de um conjunto de conhecimentos sobre questões actuais do debate contemporâneo entre ciência, filosofia e religião, nomeadamente relativas à origem, estrutura, dinamismo e finalidade do Cosmos e do Ser Humano.
- - Estimular a reflexão e avaliação crítica dessas questões, de modo a que eles estejam melhor preparados para as abordar em sala de aula.
- - Examinar os conceitos básicos utilizados pelos três ramos de conhecimento (científico, filosófico e teológico), os resultados alcançados, as questões suscitadas e as potencialidades e limitações dos métodos envolvidos.
- - Obter uma síntese teórica integradora e complementar dos mesmos, como explicação abrangente dos diversos âmbitos da experiência humana no Mundo.
Conteúdos da acção
1. Introdução.
1.1. A ciência e a religião na cultura actual: duas visões do mundo. A tese dos quatro cavaleiros do novo ateísmo: o avanço da ciência implica o recuo de Deus (R. Dawkins, D. Dennett, S. Harris e C. Hitchens). A tese ateísta de cientistas (V. Stenger, L. Krauss e S. Hawking): a ciência como substituto de Deus.
1.2. Ciência e fé como incompatíveis: ideologias e dogmatismos científicos (materialismo, cientismo) e religiosos (fideísmo, fundamentalismo). Ian Barbour e as relações históricas entre ciência e religião: conflito, independência, diálogo, integração, complementaridade. A ciência como único caminho seguro de conhecimento verdadeiro?
2. Experiência e conhecimento humano do Mundo: Ciência, Filosofia e Religião.
2.1. Experiências humanas básicas do Mundo: experiência do conhecimento, experiência ética, experiência de amizade e de amor, experiência estética e experiência religiosa. Representação e significação da experiência e conhecimento do Mundo. Experiência científica e experiência religiosa. Multiplicidade das diversas formas de conhecimento. Conhecimento científico, conhecimento filosófico e conhecimento religioso. A questão do método de conhecimento, seus pressupostos e limites.
2.2. Pressupostos e limites da ciência. Limites experimentais, cognitivos, éticos e de crescimento. Pressupostos metafísicos e questões últimas. Questões de “tipo-como” e de “tipo-porquê”.
3. Debates contemporâneos sobre o Cosmos e o Ser Humano.
3.1. O Cosmos: origem, estrutura e evolução
- A origem do Universo e da matéria: a teoria do Big Bang e o bosão de Higgs ou “partícula de Deus”.
- Os problemas físico e metafísico da origem do Universo.
- A cosmologia cristã, a noção filosófica de “creatio ex nihilo” e sua adaptabilidade às diversas cosmologias científicas.
- Consequências culturais da noção de criação: desdivinização do Mundo, surgimento da ciência moderna, cuidado ecológico. A distinção entre criação e o criacionismo das teorias actuais do Intelligent Design.
- A evolução e fim do Universo. O princípio antrópico. Leis da Natureza, acção divina e milagres.
3.2. O Ser Humano: origens, características e finalidade
- Panorâmica geral da visão científica actual sobre o ser humano e a sua origem, com base nas evoluções cósmica e das espécies. Os diversos saberes científicos sobre o ser humano e a abordagem da antropologia filosófica.
- Características diferenciadoras do homo sapiens em relação a outros hominídeos: a racionalidade, a autoconsciência, a liberdade, a moralidade e a responsabilidade, a consciência da morte, abertura ao meio ambiente, orientação para o futuro e sentido da existência, abertura à esperança e à transcendência.
- Teorias explicativas da pessoa humana em termos monistas (materialistas), dualistas (corpo-alma; cérebro-mente). A teoria dinamicista de Pedro Laín Entralgo.
- A visão antropológica cristã: o homem como fruto da evolução e como imago Dei, chamado à comunhão plena para lá da morte. A dignidade e liberdade da pessoa humana.
Metodologia
- Exposição sistemática dos conteúdos, com recurso a PowerPoints, com vista a apresentar e a discernir com detalhe os múltiplos conceitos, teorias científicas, filosóficas e teológicas envolvidas, e respectivos autores, bem como a melhor entender a complexidade e subtileza inerentes às relações entre os três domínios.
- Discussão e análise filosófico-crítica de pequenos textos, para aprofundar o conhecimento das hipóteses e enquadramentos das questões e problemas estudados, fomentando, assim, a participação activa e o espírito crítico dos formandos.
- Visionamento, discussão e análise de vídeos, complementando, assim, as outras metodologias, para a contextualização dos problemas, conceitos, modelos, métodos e teorias, sedimentando a compreensão dos formandos acerca das várias problemáticas sobre o Cosmos e o Ser Humano.
- Realização de um trabalho final de reflexão crítica, tendo por objectivo consolidar as competências adquiridas.
Regime de avaliação dos formandos
Os formandos serão avaliados de forma qualitativa e quantitativa, na escala de 1 a 10 valores, nos termos da Carta Circular CCPFC-3/2007 de Setembro de 2007, tendo por base os seguintes parâmetros e respectivos valores percentuais:
- Assiduidade, interesse e participação nos encontros em sala de aula – 40%
- Relatório/reflexão crítica do Formando, contendo entre 15.000 e 25.000 caracteres, sobre um dos temas abordados e proposto pelo formando, a entregar até uma data acordada entre formador e formandos – 60%
Obrigatoriedade de frequência de 2/3 das horas de formação. Encontros semanais.
Modelo de avaliação da acção
Em conformidade com os documentos aprovados em sede de Comissão Pedagógica, a saber:
• Relatório/reflexão crítica do Formando;
• Relatório do Formador
• Inquérito para avaliação da acção e do formador.
Bibliografia
• ARTIGAS, M. e TURBÓN. Origen del Hombre: Ciencia, Filosofía y Religión. Pamplona:U. Navarra. 2008.
• BALSAS, Álvaro (Org.), O Avanço da Ciência e o Recuo de Deus: Fronteiras do Conhecimento. Porto: Fronteira do Caos Editores, 2013.
• BALSAS, Álvaro. Divine Action and Laws of Nature: An Approach Based on the Concept of Causality Consonant with Contemporary Physics. Braga: Axioma Studies – Publicações da Faculdade de Filosofia, 2017.
• SOLER GIL, Francisco J., and Manuel Alfonseca, eds. 60 Preguntas sobre Ciencia e Fe: Respondidas por 26 professores de Universidad. 2nd ed. Barcelona: Editorial Stella Maris, 2016.
• UDÍAS VALLINA, Agustín. Ciencia y Religión: Dos Visiones del Mundo. Santander: Editorial Sal Terrae. 2010.