Arcebispo convida Católica de Braga a transportar a sinodalidade para o seio da comunidade

Friday, October 22, 2021 - 01:00
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Diário do Minho

O Arcebispo de Braga convidou a Universidade Católica de Braga a contribuir para uma Igreja Sinodal, envolvendo tudo o que a compõe, chegando assim a Igreja a «outros circuitos» e tornando-se «humilde ouvinte do que poderão ter para dizer».

Na sua intervenção na sessão solene de abertura de ano letivo 2021/2022, que teve lugar na manhã de ontem, D. Jorge Ortiga começou por se referir a um tempo em que «o amanhã incomoda e o futuro se apresenta como enigma nem sempre decifrável». «A pandemia veio determinar as coordenadas do tempo presente. (...) Começamos a dar por resolvidos os problemas sanitários, se bem que sempre com cuidados a ter em consideração. A questão social já parece incomodar pouco e já não se olha com a atenção devida para a erradicação da pobreza. Parece que só a economia está a preocupar pelas dificuldades em elaborar orçamentos», disse, sublinhando que «nada ficará na mesma» e lamentando que se sigam os caminhos que «sempre foram trilhados» e não se coloque a sociedade em questão. Neste cenário, D. Jorge Ortiga lembrou a palavra da Sinodalidade, «capaz de abrir perspetivas de inovação e de ruptura». É um «pensar global» que tem, na sua ótica, de se tornar local e «aqui entra a Católica com tudo o que a compõe, com os seus polos e com todos os seus intervenientes, professores e funcionários». «Acresce-lhe um encargo especial de difícil, mas possível concretização: a Igreja não quer ficar no sentir dos seus fiéis. Pretende chegar a outros circuitos e tornar- -se humilde ouvinte do que poderão ter para dizer. Compete, por isso, à Católica sair das suas salas e mergulhar nos areópagos de outros conhecimentos e pensamentos», acrescentou, salientando que é possível «aprender e esclarecer» e que o «medo de ouvir» não deve existir. Antes pelo contrário, «agradecer quanto nos possam dizer». «A crítica pode ferir mas ajudará. Daí que deixo o pedido de exercitarmos esta escuta, constituindo grupos de intelectuais que ousem ajudar-nos a discernir caminho do futuro», disse. Já na homilia da abertura solene do ano académico, na missa que se seguiu à sessão solene, D. Jorge Ortiga exortou a UCP de Braga a transportar este processo sinodal para os seus corredores e salas de aula. «Queremos uma Igreja Sinodal onde todos digam o que sentem e lhes apetece, mas permitindo que o Espírito fale, qual fogo que apaga o que pode parecer muito moderno, mas não está verdadeiramente integrado no projeto de Deus», disse, vincando que «o processo sinodal tem duas exigências prévias»: «uma conversão pessoal para ouvir o Espírito e uma séria espiritualidade para atender a todos quantos falam e podem ter menos cultura do que eu mas serem dotados de uma maior sabedoria». «Sem conversão pessoal e espiritualidade sinodal não chegaremos a lado nenhum. Teremos discursos bonitos, mas tudo na lógica do parlamentarismo que o Santo Padre quer evitar», alertou D. Jorge Ortiga. Dirigindo-se concretamente à Católica de Braga, manifestou o desejo para que seja capaz de «fazer a experiência de conversão pessoal e espiritualidade sinodal de modo a que transborde para as nossas comunidades». «Tenho dito muitas vezes que o trabalho da Católica não pode ficar dentro dos seus quatro muros. Deve ser uma arena aberta que comunica pensamentos mas sempre em diálogo com outros membros e culturas. A qualidade académica é exigida por todos e quase todos a reconhecem. Este novo modo de comunicar pode ser peculiar e caraterístico», sustentou.

PRESIDENTE DO CENTRO REGIONAL COLOCA GRANDES DESAFIOS DA HUMANIDADE NO CENTRO DA «ESPECIAL OBRIGAÇÃO» DA UNIVERSIDADE

Católica de Braga integra na investigação transição digital, mobilidade e ecologia 

O presidente do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa (UCP) apontou a transição digital, a sustentabilidade ecológica e a inteligência artificial como os grandes desafios da academia, que tem que os olhar pela ótica do rigor científico. «O mundo universitário, no coração do mundo vivido quotidianamente por todos nós, tem obrigação grave de se dedicar ao aprofundamento destas e outras questões, na busca de respostas possíveis, sem dogmatismos, mas com a exigência do rigor científico», disse João Manuel Duque, que falava na sessão de abertura do novo ano letivo. O também pró-reitor da UCP vincou «a tradição filosófico-humanista da Católica em Braga, agora aplicada a diversas Ciências Sociais e Humanas», para sublinhar a «especial obrigação» que a Católica de Braga tem para com os novos desafios que se colocam à humanidade e que também resulta da «especial competência» que possui «para estudar exaustivamente estas dimensões, seja do ponto de vista teórico-fundamental, seja do ponto de vista prático-aplicado». «É nesse sentido que procuraremos desenvolver estrategicamente o nosso trabalho, nos próximos tempos e nas diversas áreas que constituem o cerne do nosso estudo, da filosofia às humanidades, da psicologia ao serviço social, da comunicação à ciência de dados e ao turismo», destaco João Duque, enfatizando a ideia que a identidade Católica da universidade compromete a academia «com uma leitura teológica do contributo de todas estas ciências». «Será esse o nosso contributo imediato para o tempo que nos é dado viver», destacou o pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa, sublinhando a ideia de que «no meio das maiores transformações , como se viu, aliás, ao longo dos meses de pandemia , há sinais de humanidade que são sempre os mesmos, a começar pela solidariedade entre os humanos». Numa intervenção focada nos novos desafios que resultam da «relacionalidade digital» e da «mobilidade global», o presidente do Centro Regional de Braga da UCP assumiu que «estes desafios são, antes de tudo, desafios pragmáticos» e que «irão determinar o nosso quotidiano nos próximos tempos, em contexto universitário e não só». «Teremos, pois, que aplicar, com critério e sabedoria, a transformações exigidas por esses desafios, das quais a transformação digital será talvez a mais significativa», disse João Duque, que também destacou «a notável capacidade de todos , colaboradores, docentes e alunos para se adaptarem a situações completamente diferentes e mesmo adversas» causadas pela pandemia.

"SER CAPAZ" VAI ABARCAR, NESTA FASE PILOTO, DEZ ALUNOS FINALISTAS DO ENSINO SECUNDÁRIO

Programa para alunos em fragilidade arranca em 2022

O programa piloto "Ser Capaz", da Universidade Católica, será desenvolvido no próximo ano junto de dez alunos finalistas de Escolas Secundárias localizadas em áreas deprimidas e dele elevado grau de fragilidade, informou a reitora da UCP. O projeto, que já tinha sido anunciado em 2019 mas teve o seu início adiado devido à pandemia de covid-19, visa «dar um futuro qualificado a quem nunca o pôde sonhar». Trata-se de um programa que «vai admitir não baseado no mérito quantitativo dos exames finais do Ensino Secundário mas a partir de um trabalho em rede com as escolas». «Queremos promover a capacidade de aspirar, determinante para que as pessoas e as sociedades possam crescer ancoradas nos valores do humanismo e capacitadas para o desenvolvimento profissional da atualidade», disse Isabel Capeloa Gil, sublinhando que, desta forma, se pretende «demonstrar que a universidade é verdadeiramente um elevador social e que há estudantes que não têm mérito académico porque nunca houve quem os acompanhasse». Falando do contexto pandémico que o mundo enfrenta há quase dois anos, Isabel Capeloa Gil vincou que «a narrativa do processo civilizacional não permite controlar tudo o que nos rodeia». Vincando que «a educação permite lidar com a antecipação do desastre e promover a resiliência social, ética, emocional, cultural e científica», defendeu que esta «não se resume à base material de resolução dos problemas» e «este é um dos perigos do presente». «Se o momento de crise que vivemos assinalou o regresso do cientista , que estava a ser posto em causa ,, a sua função não é gerir a sociedade separado do economista, do jurista, etc. As universidades têm de mostrar a sua capacidade de liderar pela abnegação de diferentes saberes e valências», disse.

AFIRMA DIRETOR DA FACULDADE NA CERIMÓNIA DE ABERTURA DO NOVO ANO LETIVO

Filosofia e Ciências Sociais investe na qualidade da investigação

O diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais do Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa (UCP/ /Braga), José Manuel Martins Lopes, afirmou ontem que a aposta «na qualidade da investigação» e fazer da prestação «do serviço à comunidade a sua marca distintiva». Falando na cerimónia da abertura do novo ano escolar, que ontem se realizou, José Manuel Lopes deu conta que a instituição teve 886 alunos no ano letivo de 2020-2021, dos quais 106 alunos concluíram a sua licenciatura e 56 concluíram o Mestrado, sendo dois estudantes terminam o doutoramento na área da Filosofia. O responsável apontou a qualificação do corpo docente como uma das grandes apostas da Faculdade. «Nesse sentido, foram aprovadas pelo Conselho Científico e homologadas pela senhora reitora, a abertura de seis vagas para professores auxiliares e uma vaga para professor associado», disse, acrescentando que «já está em curso» um novo processo de abertura de vagas. Depois de ter concluído a avaliação dos seu quadro docente relativa ao triénio de 2015 a 2018, a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais tem e curso a avaliação reportada as 2018-2021, processo que está intimamente ligado à qualificação da carreira docente, que na Universidade Católica Portuguesa está intimamente ligada à viabilidade financeira da instituição. «Tentar-se-á que, tanto quanto possível, se faça convergir a redução dos tempos integrais e das exclusividade para a média da UCP», sublinhou o diretor da Faculdade, dando conta que «espera-se que, com este esforço, e através de outras medidas, se criem condições para que o corpo docente possa continuar a melhorar os seus índices ao nível da investigação». Isso «sem prejuízo da participação dos docentes em outros projetos nacionais e internacionais», destacou José Manuel Lopes, salientando a ideia de que uma das apostas estratégicas da Católica reside na «rigorosa internacionalização dos docentes».

DIRETOR-ADJUNTO ANUNCIA QUE DOCENTES JÁ TIVERAM FORMAÇÃO "ROBUSTA" PARA ESTAREM À ALTURA DO NOVO DESAFIO

Faculdade de Teologia vai avançar com formação superior à distância

O diretor-adjunto do Núcleo de Braga da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP), Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, anunciou ontem o propósito da instituição de ensino superior em avançar com a formação à distância na Licenciatura e no Mestrado do Curso de Ciências Religiosas. Luís Miguel Rodrigues fez saber que o avanço para o novo modelo visa a prestação de «um melhor serviço» à comunidade e que só está dependente da validação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. «Já temos alguma experiência de ensino à distância em curso de extensão universitária e percebemos que prestaríamos um melhor serviço aos nossos destinatários se lhes oferecêssemos a possibilidade de frequentar quer uma Licenciatura em Ciências Religiosas, que o Mestrado em Ciências Religiosas, em regime à distância», disse. Luís Miguel Rodrigues, que falava na sessão solene de abertura do novo letivo no Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa, acrescentou que «a iniciação à prática profissional, no caso dos alunos que desejam fazer o Mestrado em ordem à lecionação de Educação Moral e Religiosa Católicas, terá de ser presencial, nos respetivos campos de estágio». O avanço ontem anunciado surge depois de o Núcleo de Braga da Faculdade de Teologia da UCP ter ganho experiência de ensino à distância em cursos de extensão universitária nas áreas do Turismo Religioso, da Doutrina Social da Igreja ou da Síntese Catequética Avançada. O responsável pelo Núcleo de Braga da Faculdade de Teologia da UCP avisou que «a construção e implementação de cursos em regime "e-learning" implica uma reconversão de métodos e de estratégias por parte do corpo docente» e fez saber que foi nesse quadro que a Faculdade de Teologia, «com o apoio do Laboratório de Educação à Distância e E-Learning da Universidade Aberta, ofereceu, aos docentes que vão lecionar nos dois primeiros anos, uma formação suficientemente robusta, capaz de capacitar para este novo desafio».

DESTAQUE «É urgente as humanidades se abrirem ao contexto digital»

ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA

A necessidade de as humanidades se «abrirem ao contexto digital» foi um dos pontos salientado pelo professor auxiliar António Melo, ontem, na Oração de Sapiência. «Há muito que se fala das humanidades digitais e sobre os desafios que nos trazem fenómenos tão recentes como a tecnologia que usa inteligência artificial para criar imagens e sons aparentemente reais a partir de pessoas de renome na sociedade», disse, para de seguida levantar algumas questões, entre elas «quais são os limites de semelhante tecnologia?» ou «que questões éticas levantam este fenómeno que se está a popularizar nas redes sociais?». «Será que a fala deixou de ser característica própria do Homem enquanto ser único? (...) e, nesta linha de pensamento, o que pensar da manipulação genética, da implantação de chips no cérebro humano, da criação de cyborgs? Onde fica o limite do poder humano?». Para António Melo, é nestas e noutras questões que «se abre um promissor campo de estudo para as humanidades e a ciência dos dados». Por entre várias sugestões, o professor auxiliar defendeu a importância de ser dar «mais atenção ao feminino», já que os manuais universitários da História do Pensamento Filosófico continuam a ser exclusivamente no masculino, e que a instituição universitária «é hoje chamada a recentrar o seu papel na sociedade»