Verba Volant? Oralidade, escrita e memória

Verba Volant? Oralidade, escrita e memória

 

A palavra é o espelho mais fiel do humano, segredo e desvelamento, que permite ao homem abandonar-se ao outro e avizinhar-se do absoluto e do sublime. A Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, foi a fonte primordial do contraste entre  mythos e logos, um assente na memória, o outro na escrita. O florescimento da Filosofia mostrou as complexas vertentes da palavra escrita: se permite conservar a memória do passado, pode enfraquecer a capacidade de memorizar; separada da Verdade pelo relativismo sofístico, pode distorcer a memória. Quando Roma assumiu a transmissão do legado clássico, e até ao advento do Romantismo, a cultura literária, e com ela a palavra e a memória, foram sinónimos de imitação e adaptação. Ao valorizarem o ingenium individual e colectivo, os Românticos centraram na palavra vernácula a identidade das nações. Também no âmbito das religiões a palavra é essencial: no judeo-cristianismo, Deus cria todas as coisas pronunciando a sua Palavra. A possibilidade de salvação pela palavra é contraditada pelo assumir da dúvida característico do século XX, que enriqueceu o debate sublinhando as suas múltiplas facetas, culminando no desafio presente da imagem e do mundo virtual.

Álvaro Balsas, SJ (Orgs.)

PVP: 15,00 € (E-book)

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